quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Adolescência
uma etapa da vida que se tem de passar e não podendo ser diferente, em vez de estigmatizar com uma idade problemática, poderíamos procurar a melhor forma de vê-la. Nisso precisamos dos pais, a dificuldade é que muitas vezes os adultos não têm tempo para seus filhos, devido essa vida insana que se leva neste mundo desumano. Nas maiorias das vezes preferem classificar os adolescentes como “aborrecentes”, do que entendê-lo com a sensibilidade de quem já teve a mesma idade. Ninguém chega à idade adulta, constrói uma vida próspera e feliz, sem ter um bom alicerce, e essa base são em grande parte formada na infância e adolescência, é por isso que devemos tomar muitos cuidados o que fazemos nelas. Em todas as idades os erros não passam impunes, no entanto na puberdade tudo é mais complexo devido o jovem não está psicologicamente maduro para se levantar com dignidade duma queda, por conta duma falha ele pode pôr sua vida profissional, sentimental e até espiritual a perder.
A puberdade pode ser uma ótima fase da vida, é só o jovem assumir seu papel com responsabilidade na comunidade, pois não há outra forma de se realizar como ser humano senão pela dignidade, trabalho, responsabilidade... Sendo-se adolescente, adulto, homem ou mulher... Todos têm de procurar tornar esse mundo melhor e não ao contrário com revolta infundada, rebeldia, caprichos... Afinal a adolescência é a transição para a vida adulta, e aquele que a aproveitam dessa forma, sem deixar os encantos característicos próprios dessa fase da vida, geralmente será um adulto muito mais realizado e feliz, não é isso que procuramos desde a mais tenra idade? A vida é uma busca constante pela felicidade, e na puberdade já se começa desenhar quem seremos, como enxergaremos o mundo, os problemas... Enfim tudo que se viveu se aprendeu e se valorizou na infância e adolescência é colhida a posteriores.
O mundo está nessa situação lastimável justamente pela falta de diálogos entre as pessoas. Se não repensamos a educação neste país, a situação vai ficar insustentável, onde será preciso construir cada vez mais presídios, para “corrigir” o erro de não se ter dado o devido valor à escola. Os jovens não precisam de críticas, indiferenças, maus tratos... Necessitam sim de opções, respeito, oportunidades... Para serem felizes e prosperarem. O que tem de ser feito é simplesmente cumprir o “Estatuto da Criança e do adolescente”. O que não é feito e dizem que não sabem o motivo da juventude está se perdendo: entra aí a falta de responsabilidade dos que “dirigem” esse país das desculpas, essa é a melhor classificação para o Brasil: “O País das Desculpas” e é muito estafante ouvir desculpas esfarrapadas.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Se eu fosse uma menina...
Se eu fosse uma menina, dessas que beiram o mundo, eu seria tão fútil, que só sairia para a rua maquiada e me preocuparia com minha maquiagem, não meu caráter!
Se eu fosse uma menina, perderia três horas escolhendo duas peças de roupa no shopping.
Se eu fosse uma menina, eu me modelaria o corpo só para jogar na cara das minhas amigas que era a mais atraente!
Se eu fosse uma menina, eu deixaria meu rosto bonito, pois sem a beleza estética jamais seria uma modelo!
Se eu fosse uma menina, eu só leria revistas de moda e de decoração.
Se eu fosse uma menina, eu veria as novelas das sete e das oito, desligando no Jornal Nacional, que seria hora de fazer o jantar.
Se eu fosse uma menina, sonharia em fazer uma faculdade ou de humanas ou de biomédicas, dessas que fazem as mulheres! Exatas é coisa para homens, apenas!
Se eu fosse uma menina, nunca me envolveria com discussões políticas!
Se eu fosse uma menina, nunca me engajaria numa luta democrática!
Se eu fosse uma menina, teria apenas um parceiro na minha vida toda para não ser chamada de piranha!
Se eu fosse uma menina, eu esperaria o menino que eu gosto “chegar” em mim, pois isso é coisa de homens! Eu não teria personalidade, seria só mais uma!
Se eu fosse uma menina, eu teria uma personalidade machista, pois mesmo as meninas estão submetidas a isso nessa sociedade!
Se eu fosse uma menina, eu seria apenas uma reprodutora!
Se eu fosse uma menina, eu perdoaria meu namorado traidor, porque é mais normal das meninas serem mais amáveis! (Traduzindo: Estúpidas!)
Se eu fosse uma menina, eu odiaria esportes radicais e de altos níveis de adrenalina, pois não são coisas para meninas!
Se eu fosse uma menina, eu ficaria orgulhosa do dia oito de março! Apenas nesse dia!
Se eu fosse uma menina, eu só escreveria historinhas para boi dormir, pois as meninas são sinônimas de graça, não de revolução!
Se eu fosse uma menina, eu nunca sonharia com os cargos mais altos, pois meninas nunca ocupam.
Mas no fundo do meu coração, eu teria orgulho e adoraria ser uma MULHER! Para ler esse texto, cuspir nele, e fazer o seguinte comentário:
-Seu idiota medíocre! AS MULHERES SÃO MUITO MAIS DO QUE VOCÊ ACREDITA, E MUITO MAIS DO QUE UM DIA VOCÊ JÁ PENSOU QUE FOSSEM!
Nota: As frases foram coletadas (e transformadas para uma linguagem fácil) de pessoas do sexo feminino com uma mentalidade atrasada e machista. Por isso mereceram ser chamadas de meninas.
P.s.Clássico: Não se ofendam mulheres, no fundo eu quis elogiar vocês!
COMO FAZER DIREITO
Tudo começou quando a turma de Direito resolveu colocar uma célebre frase em camiseta e ela virou moda no campus:
"Seu namorado faz direito? Vem cá que eu faço".
Em seguida, o pessoal de Medicina largou a seguinte:
"Ele pode até fazer direito, mas ninguém conhece seu corpo melhor que eu."
O pessoal de Administração não deixou para menos:
"Não adianta conhecer o corpo, fazer Direito se não souber Administrar o que tem"
O pessoal de Administração ficou bem na fita, quando a Turma de Agronomia apareceu com a seguinte frase:
"Uns conhecem bem, outros fazem direito, e alguns sabem administrar o que tem, mas plantar a mandioca como nós ninguém consegue!"
O pessoal da Publicidade largou esta:
"De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar e plantar a mandioca, se depois não puder contar pra todo mundo?"
A turma da Engenharia:
"De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar, plantar a mandioca, e poder contar pra todo mundo, se não tiver energia e potência para fazer várias vezes?"
A frase campeã ERA a da Economia :
"De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar, plantar a mandioca, poder contar pra todo mundo, ter energia e potência para fazer várias vezes, se mulher gosta mesmo é de dinheiro? ”
NOVA FRASE DAS MENINAS DO CURSO DE NUTRIÇÃO:
"De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar, plantar a mandioca, poder contar pra todo mundo, ter energia e potência para fazer várias vezes e ter dinheiro... se no final das contas a gente sempre precisa ensinar a comer!”
Do amigo Manoel Ferreira do Amaral
Findamento da melancólica inocência
- Me dá esse copo aqui – disse ela em monotom.
Estendi o braço demoradamente sem virar o rosto. Com certeza deveria estar atônito e absorvido num fluxo de pensamento sem foco nem utilidade, mas de certa forma prazeroso demais para me movimentar.
- O que vamos fazer hoje? – cobrou ela finalmente voltando o rosto para mim.
- Nada.
Seus olhos eram comuns e sem graça. Pequenos ovos de codorna que me lembravam que jamais chegaria perto de entender o que aconteceu e o que estava acontecendo. Quando se mexiam de um lado para o outro traduziam a impotência de qualquer porcaria que ainda estava por vir. Depois de um longo gole de vinho barato, uma longa gargalhada, um longo abraço apertado, uma cuspida na cara. Mãos sensiveis, capazes de dar espasmos de caganeira. “Voce lê pensamentos”. Comecou a rir como uma hiena depois de achar um montao de merda. Riu tanto que engasgou com a saliva e começou a soluçar compulsivamente.
Me voltei para a claridade estupida e cinza da janela. Numa das janelas do prédio ao lado havia um velho gordo de cueca cortando as unhas do pé apoiado na mesinha de centro da sala. Mais abaixo, uma pequena janela mostrava só metade de um rabo de pijamas proximo a uma cama que recebia camadas de lençois. Os honestos têm muita coisa na cabeça e quase nada para querer fazer.
- Vou embora daqui – disse eu me levantando de repente.
- Como assim? – susurrou ela com os pequenos ovos arregalados e retirando uma das mãos da boca.
- Pronto, chega desse soluço – completei voltando a sentar preguiçosamente.
Depois de perder a inocência, as cores ficam mais desbotadas, o tempo mais curto e o ar mais insípido. Jamais voltamos a nos interessar por nós mesmos. Ao mesmo tempo, nos tornamos mais seguros, sarcásticos e passamos a crer que realmente sabemos alguma coisa. Qualquer idéia de felicidade, ou da paradoxal hiperbólica `vontade de viver`, esta fundamentada no perpétuo desconhecimento deste contraste.
sábado, 7 de novembro de 2009
Carta de um Lobo para os Humanos
eu sou um simples mamífero, um simples lobo, representando agora nesta carta os animais ditos irracionais. Dou leite a meus filhos, carrego pêlos no corpo, dentes na boca, como um Ser Humano.
Porém, não sou como vocês, muito pelo contrário, vivo somente com um objetivo: VIVER. Não almejo dinheiro, não almejo sucesso, somente quero comida, somente quero abrigo. Por que vocês, seres humanos nos minimizam como se nós não fossemos importantes?
Hoje não falo somente por mim, mas sim por tudo -e todos- que vocês
esqueceram.Vocês certamente nem sabem o que esqueceram e ainda se dizem... "racionais"?!
Aquele que é racional não mata,aquele que é racional não destrói. Individualismo é o
pior erro e para os piores erros, as piores consequências virão.
Quando as águas revoltas pelo vento vencem seu "raciocínio" e matam 300 mil de seus irmãos, o destaque e o luto são incomensuráveis. Todavia, quando toneladas e mais muitos quilos de peixes são mortos pela poluição,você troca o canal, vira a página, muda a estação. Mas não percebe que tanto no primeiro caso quanto no segundo, só existiu uma causa: você. Você que poluiu as águas, você que revoltou os ventos.
E ainda ousa afirmar que somente o mais forte sobrevive. O mais forte não polui, o mais forte não destroi. O mais forte ama, o mais forte, vive.
Você escreve livros e mais livros se orgulhando sobre o tal Australopithecus bla bla bla e o “Homo Besteiralis”, por que não escreve tantas pilhas de livros sobre a evolução do gato, do cão, da vaca...?
Vocês todos destroem; sem exceção. Até mesmo aqueles que suspendem placas em nome a proteção das florestas, "apedrejam" empresas e clamam ao governo a preservação.
NINGUÉM É INOCENTE.
Inteligência Humana, diga-me: de onde tiraremos alimento? Se ainda não digerimos concreto nem bebemos gasolina...
Inteligência Humana, diga-me: aonde viveremos se ainda não atravessamos avenidas para chegar às devastadas florestas?!
Inteligência Humana, diga-me: onde poderemos criar nossos filhos, se eles ainda não dormem em berços nem usam fraldas?
Como sobreviveremos? Trabalhando, andando de carro, navegando na internet e bebendo Coca-cola com limão e gelo?
Vocês sonhavam e ainda sonham em mudar o mundo não é?
PARABÉNS, estão conseguindo
E assim como sabem destruir, sabem como reconstruir; afinal, vocês não são... "racionais" ?!
A Fuga de um Cadáver - Carta de um Suicida
Idade .: 21 anos
Perfil .: Aluno líder da escola, da turma, representante de tudo, opinião forte. Família batalhadora e religiosa, porém conservadora e distante. Impediam que ele andasse de ônibus ou livremente nas ruas, mal conversavam com ele sobre seus sentimentos e quando ele chora e diz que sofre, dizem que é mentira.Um dia, depois de conhecer o verdadeiro mundo em que vivia, envolve-se com Pichação e Drogas. Apaixona-se por uma menina com quem os pais o proíbem de conversar.
Com a palavra, Chico Brasil;
Minha força vem de estimular a força dos outros. A quem vou dar forças agora? Só sabem falar comigo para me criticar, me dizer como devo agir. Eu sou um inútil, um imprestável que não possui mais sentimentos.
Minha alma está morta, meu coração está morto, só me falta a morte física, a qual clamo que brevemente chegue. Já não me importo com o que vão sentir os que ficam, pois estes só me criticam e punem.
Será que estou à margem da sociedade? Será que não passo de um monte de fezes queimando no asfalto do deserto da civilização? Vítima do Sistema que padroniza as reações e exclui o anti-padrão, destrói o protesto. Morto estou ?
Não agüento mais aqui ficar, não tenho mais forças para chorar, viver, sorrir. Mascarando a dor na falsa alegria, falsa e infeliz felicidade.
Por que me criticam? Por que me prendem? Por que reclamam? De que adianta viver na opressão? De que adianta viver no padrão? E, de que adianta, viver ? De que adianta adiantar alguma coisa? O que ainda permanece? Onde estão meus guerreiros? E meu general? João 2.15
Quem sabe no céu eu poderei ter muitos guerreiros comigo e um grande general. Quem sabe Deus não me critique nem me prive a Vida. Quem sabe Deus não dirá que meu pranto é mentira, que falso é meu sofrimento. Quem sabe Deus me abrace, me beije e diga que está comigo, então eu ligarei para ele todos os dias e ninguém reclamará. Quem sabe Deus entenda o maior sofrimento da minha vida, talvez eu possa conversar com ele, andar de ônibus com ele, passear de bicicleta pelas ruas com ele. O Senhor é meu pastor e nada me faltará.
Mas nem mesmo a Fuga me separará daquela que me entende. Pois hoje, proibido estou até de falar com aqueles que me entendiam. Salmos 102.3
Mas eu estarei lá junto ao Senhor e abençoarei àqueles que me ouviram e choraram comigo.
Eu só quero poder sentir a brisa suave no rosto e o cintilar das estrelas, livre de críticas e dos limitados conselhos, do mal que me aflige. Busco refúgio EXPELINDO. Expelindo minhas dores em jatos de tinta que mancham a sociedade, e poder olhar minha mágoa fora de mim, aos olhos de todos, na mente de poucos, no coração de ninguém.
Podem me julgar, podem me condenar (e condenam) mas a história me absolverá.
Salmos 9.9
“ É nosso dever, nossa Salvação ”. “Somente com teus olhos contemplarás e verás a recompensa dos ímpios”
Hasta la victoria siempre, capitan.
Dos beijos que me deste
Não quero nem saber
Do mal que me fizeste
Procuro esquecer
Mas tento e não consigo
E quando algum amigo
Me perguntar por ti
Eu digo que não sei
Que muito lhe amei
E hoje a esqueci
Se Deus quisesse um dia
Devolver meu passado
Perdão te pediria
Mas não suportaria
Viver mais ao teu lado
Não quero recordar
Que um dia já fui teu
Se está tudo acabado
Pra que ressussitar
Um amor que me morreu
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Marina
Versão reescritaEla não era muda, só nunca sabia o que dizer para aquelas pessoas que sempre passavam apressadas pela pracinha. Ela passava as manhãs sentada no balanço vermelho. Dia após dia lá estava a menina com seus 15 anos balançando as suas ideias. E Marina era assim, meio muda, meio quieta. Quase nunca alguém vinha falar com ela, mas ela nem ligava, sempre foi assim. Ela observava calada as histórias das outras pessoas. De toda a praça, quem puxava um pouco mais de assunto com a menina era o Seu Pedro, um velinho já com seus oitenta e poucos anos bem vividos. Marina sempre observava-o passar. De um lado para o outro. Do outro lado para o um. De manhã ele saia cedinho para comprar jornal, depois ficava longas horas conversando com Antônio, o dono da padaria, de quem ele compraria uma baguete que acabara de sair do forno a lenha. Era sempre assim. E Marina com seu vestido de bolinhas sempre balançando no seu balanço vermelho. Depois de Seu Pedro comprar jornal e ficar longas horas conversando com Antônio, o dono da padaria, de quem ele compraria uma baguete que acabara de sair do forno a lenha, o velhinho sempre vinha puxar algum assunto meio besta com Marina. As vezes eram conversas sem pé nem cabeça. "Quando eu tinha meus 15 anos, e isso já faz algum tempo, meninas bonitas como você não ficavam assim, sozinhas. Cadê as outras meninas bonitas para você conversar?" Seu Pedro era um amor de pessoa. Mas a verdade é que não havia outras meninas bonites em lugar algum. Desde pequena Marina sempre achara suas colegas fúteis demais com toda aquela maquiagem e roupas caras, maior babaquice. Não se importava de verdade de não ter outras amigas ou amigos se Seu Pedro era seu único amigo. Ele era como um avô para Marina e ela se sentia revigorada a continuar lutando para não virar mais uma Barbie quando estava com ele. Depois de conversarem os dois assim como quem não quer nada por horas a fio, Seu Pedro parava de discutir as bobagens aleatórias e perguntava, pedia quase como súplica para jogar damas com Marina num dos tabuleiros de pedra da antiga pracinha. Ela era sua única amiga também, ele falava com gente de mais para dizer a verdade mas era Marina, aquela menina meio quieta de mais que passava os dias balançando suas ideias no balanço vermelho da antiga praça, quem enchia seus dias de alegria e trazia de volta um pouca da sua aurora. Ele parecia ter 15 anos como Marina. Mas o jogo de damas era sempre Seu Pedro quem ganhava não tinha jeito, estava 349 jogos a 4 para o risonho homem de cabelos grisalhos. Marina nunca se importara muito com as derrotas, mas valorizava muito mesmo cada vitória. Seu Pedro nunca deixava Marina ganhar, não facilitava um pouquinho sequer. Todas as 4 vezes que ela ganhara fora com os devidos méritos. E assim era Seu Pedro. E assim era Marina. Depois de passarem algum tempo juntos lá ia Marina almoçar na sua casinha de tijolo à vista, meio sem graça, ir pra escola, onde tinha dezenas de colegas mas nenhum amigo. E lá ia Seu Pedro para a biblioteca pública para a companhia de centenas de livros mas nenhum amigo. Eles não se viam mais naquele dia. Mas Marina sabia que no dia seguinte quando estivesse balançando suas ideias no seu balaço vermelho, Seu Pedro ia sair para comprar jornal e ficar longas horas conversando com Antônio, o dono da padaria, depois compraria uma baguete que acabara de sair do forno a lenha. Mas não naquela sexta-feira dos ventos, nem no dia seguinte, nem no outro. Nem no outro mês. Mas Marina estava sempre lá balançado suas ideias no seu balanço vermelho. Agora eram ideias tristes. Ela estava triste e suas ideias também estavam de luto. Era um nó na garganta, um aperto no peito. Marina tinha seus olhos mariscados azuis mar, marejados pela maré de lágrimas que manchavam de marinho sua marina face. Seu Pedro não voltaria. Ele não sairia para comprar jornal e nem ficar longas horas conversando com Antônio, o dono da padaria, de quem ele compraria uma baguete que acabara de sair do forno a lenha. Nem conversaria com ela, a menina Marina do vestido de bolinhas. Nem jogariam damas nas antigas mesas de pedra. A alma de Seu Pedro se fora com o sopro do vento da cálida madrugada de Outubro. Agora já se passara quase um ano que Marina se fechara por completo e já era indiferente a tudo. Já não se balançava em seu balanço vermelho. Já não jogava damas. Já não ganhava por méritos, nem perdia de lavada. Foi então que um dia confundindo a vida pacata de Marina se sentou do lado dela um garoto. Estava no ônibus, voltando da escola. Ela o ignorou como sempre fazia com todo mundo. Mas todo dia a história se repetia, sempre o mesmo garoto. Sempre o mesmo lugar. Então o garoto certa vez com um livro em mãos perguntou, meio como quem quer alguma coisa mas faz que não quer nada, para a menina Marina: "Qual seu nome? Não quero ser impertinente, é que eu sempre te vejo por aqui e você é tão bonita e sempre te vejo carregando livros inteligentes, livros que nos contam histórias que valem a pena ser lidas. Os livros são seus certo? Certamente deve tem amigas mas parece tão sozinha..." E Marina calada simplesmente fechou seu exemplar de A República e desceu três paradas antes da sua casa. Não podia falar com estranhos certo? Rubra, sem dirigir ao menos uma palavra ao garoto desceu aos solavancos. O menino não falou nada nos dias que se seguiram, nem sequer sentou no lado da nossa protagonista. Até que um dia Marina vendo que o garoto parecia infeliz foi se sentar ao seu lado meio desconfiada. Porque ela ficava tão infeliz assim pela infelicidade do garoto? Seu coração disparava. Suas mãos suavam. Seria medo? "Olá garoto, porque estás tão triste como a chuva que cai lá fora?" perguntou Marina. E o garoto se deteve a dizer: "Olá menina. Estou tão triste porque eu queria conhecer a menina de olhos azuis mar que faz meu coração disparar e minhas mãos suarem mas acho que meu passado engoliu o presente e hoje o futuro jaz morto como tudo na vida" Marina meio inquieta saiu na parada próxima. Marina tinha seus olhos mariscados azuis mar, marejados pela maré de lágrimas que manchavam de marinho sua marina face. Porque seu coração doía tanto? No outro dia lá foi Marina sentar do lado do garoto, agora ela via como ele era bonito com seus all star, jeans meio roto e camiseta azul. Azul marinho como os olhos de Marina. Hoje ele carregava alguns livros grossos. Eram apenas livros de escola, Marina supôs. Ah se marina tivesse coragem! Ou se controlasse o palpitar aleatório do seu coração... Marina estava tão perdida em meio a tantos pensamentos que nesse dia quando o menino desceu ela se sobressaltou, mas antes mas antes disso ele disse "adeus" e paralisou Marina beijou-a inesperadamente nos lábios. Adeus? Porque adeus? Pensou Marina atônita. Seu coração doía tanto! E ela passou da parada de sua casa. Não tinha jeito. Teria que caminhar. Estava saindo do ônibus quando viu que o garota havia deixado algo no banco. Um livro. Luna Clara e Apolo Onze. Luna Clara e Apolo Onze? Desceu do ônibus com o livro em mãos. Por meses o livro ficou esquecido na gaveta. Certo dia abriu-o. E leu na primeira página. E a segunda. E todas elas. No final do livro havia uma coisa escrita com uma caligrafia meio inclinada, meio apagada. Era difícil de ler. Marina cerrou os olhos e leu: Pedro Dorneles. Pedro fora o primeiro grande amor da menina Marina.